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Fornecedores

O acerto com o fornecedor não precisa ser no grito

Por Equipe Recicla+24 de jul. de 20268 min de leitura

Toda discussão de acerto com fornecedor tem a mesma raiz: duas versões da mesma carga. O catador lembra de um peso, a balança registrou outro, e ninguém tem papel.

A discussão é sempre sobre memória

Quando o combinado não está escrito, o acerto vira negociação retroativa. E negociação retroativa sempre favorece quem fala mais alto, não quem está certo.

Os três pontos que mais geram atrito:

  • Peso líquido vs. bruto. A tara do veículo ou do bag não foi descontada, ou foi descontada duas vezes.
  • Preço do dia. O fornecedor trouxe na quarta, o preço subiu na sexta, e ele quer o preço da sexta.
  • Adiantamento esquecido. O vale de R$ 200 que saiu do caixa não entrou na conta do acerto.

O que registrar na hora da coleta

Não é burocracia: são quatro campos, preenchidos enquanto o material ainda está na balança:

  1. Peso por material, separado. Um lote misto vira uma linha por tipo.
  2. Preço acordado naquele momento, não o da tabela genérica.
  3. Adiantamentos e descontos, na mesma ordem.
  4. Prazo de pagamento, dito em voz alta e confirmado.

Com isso, o acerto deixa de ser uma reconstrução e passa a ser uma leitura.

O fornecedor que discorda de um número registrado na frente dele discorda uma vez. O que discorda de um número reconstruído de memória discorda todo mês.

Transparência também é retenção

Fornecedor não escolhe recicladora só por preço. Ele escolhe por previsibilidade: saber quanto vai receber e quando. O galpão que entrega um comprovante de coleta com peso e valor discriminado, na hora, ganha fila na porta, mesmo pagando o mesmo que o vizinho.

O custo disso é um minuto a mais por coleta. O retorno é o fim das tardes de fim de mês gastas conferindo caderno.