O acerto com o fornecedor não precisa ser no grito

Toda discussão de acerto com fornecedor tem a mesma raiz: duas versões da mesma carga. O catador lembra de um peso, a balança registrou outro, e ninguém tem papel.
A discussão é sempre sobre memória
Quando o combinado não está escrito, o acerto vira negociação retroativa. E negociação retroativa sempre favorece quem fala mais alto, não quem está certo.
Os três pontos que mais geram atrito:
- Peso líquido vs. bruto. A tara do veículo ou do bag não foi descontada, ou foi descontada duas vezes.
- Preço do dia. O fornecedor trouxe na quarta, o preço subiu na sexta, e ele quer o preço da sexta.
- Adiantamento esquecido. O vale de R$ 200 que saiu do caixa não entrou na conta do acerto.
O que registrar na hora da coleta
Não é burocracia: são quatro campos, preenchidos enquanto o material ainda está na balança:
- Peso por material, separado. Um lote misto vira uma linha por tipo.
- Preço acordado naquele momento, não o da tabela genérica.
- Adiantamentos e descontos, na mesma ordem.
- Prazo de pagamento, dito em voz alta e confirmado.
Com isso, o acerto deixa de ser uma reconstrução e passa a ser uma leitura.
O fornecedor que discorda de um número registrado na frente dele discorda uma vez. O que discorda de um número reconstruído de memória discorda todo mês.
Transparência também é retenção
Fornecedor não escolhe recicladora só por preço. Ele escolhe por previsibilidade: saber quanto vai receber e quando. O galpão que entrega um comprovante de coleta com peso e valor discriminado, na hora, ganha fila na porta, mesmo pagando o mesmo que o vizinho.
O custo disso é um minuto a mais por coleta. O retorno é o fim das tardes de fim de mês gastas conferindo caderno.